A Educação tornou-se tema importante em reuniões de lideres mundiais, não obstante a esta aparente preocupação a situação na área do ensino não demonstra um futuro promissor. Observe que a UNESCO em sua declaração Mundial sobre Educação para Todos de 1998, já anunciava a situação alarmante e preocupante, veja o relato:
Há mais de quarenta anos, as nações do mundo afirmaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos que “toda pessoa tem direito à educação”. No entanto, apesar dos esforços realizados por países do mundo inteiro para assegurar o direito à educação para todos, persistem as seguintes realidades:
• mais de 100 milhões de crianças, das quais pelo menos 60 milhões são meninas, não têm acesso ao ensino primário:
.mais de 960 milhões de adultos – dois terços dos quais mulheres – são analfabetos, e o analfabetismo funcional e um problema significativo em todos os países industrializados ou em desenvolvimento:
• mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los aperceber e a adpatar-se às mudanças socias e culturais: e
• mais de 100 milhões de crianças e incontáveis adultos não conseguem concluir o ciclo básico, e outros milhões, apesar de concluí-lo, não conseguem adquirir conhecimentos e habilidades essenciais.
Ao mesmo tempo, que a Educação no mundo demonstra a deficiência já relatada, a Igreja caminha no mesmo processo de definhamento, no que tange ao Ensino, por isso é de suma importância a discussão, analise e aplicação da Pedagogia Cristã em nossos dias. Vejamos a atual situação da Educação Cristã:
* A exemplo do Brasil a Igreja tem vivido um crescimento insustentável. Certo Pastor definiu o crescimento da Igreja com a seguinte frase: “A Igreja está na dimensão do oceano, porem, com a profundidade de uma piscina.”
Se continuarmos nesta trajetória dentre pouco tempo não teremos sucessores para os grandes mestres em nossas Igrejas, pois não estamos nos preocupando em fazer discípulos, mas em formar seguidores.
* A exemplo da Idade Media estamos tirando do povo sua única arma de defesa. O que protege-nos das heresias, criadas diariamente por homens irresponsáveis e adeptos do egocentrismo, é a Palavra de Deus.
Não podemos de maneira nenhuma deixar que interesses próprios e humanos tornem-se justificativas para tirarmos do alcance dos leigos esta dádiva maravilhosa que é o acesso as sagradas Escrituras e seus ensinos transformadores. Cito agora a frase de João Amos Comenius sobre a importância da educação: “negar educação ao homem é ofender ao próprio Deus.”
* A expressão “Como esta escrito…” deu lugar a “Deus me disse…”. Lembro-me quando nossos lideres ao expor seus sermões ou suas oratórias, iniciavam ou concluíam afirmação: Está escrito na Palavra. Hoje em muitos púlpitos esta frase foi substituída há muito por afirmações que não cabem argumentos e nem questionamentos por parte do ouvinte. Afirmar “Deus me revelou” ou “Deus me disse” muitas vezes e traduzida por; “não questione”, e/ou “quem sabe sou eu”.
A Expressão PEDAGOGIA teve inicio na Grécia antiga onde o termo Paidagogia designava, na Grécia antiga, o acompanhamento e a vigilância do jovem: O paidagogo (o condutor da criança) era um escravo, ou servo, responsável na condução da criança a sua escola e depois ao ginásio esportivo, ou seja, era o paidagogo que acompanhava a criança em seu desenvolvimento não só cultural como físico.
Estamos precisando recuperar o sentido original desta função em nossos dias, o mestre cristão não deve somente ensinar mas acompanhar o desenvolvimento espiritual dos novos convertidos.
Os princípios básicos da Pedagogia Cristã devem ser ressaltados nas mentes daqueles que se dispõe a este ministério tão excelente. Vamos analisar os principais princípios da Pedagogia Cristã:
Nosso publico alvo é diferenciado e desafiador, observe:
- Heterogêneo em sua formação educacional, faixa etária e classe social. Estas diferenças tornam o desafio de ensinar ainda maior.
- Com objetivos diferentes, que influenciam diretamente a interpretação, pois muitos chegam com projetos fechados esperando somente a “confirmação” para executá-los.
- Convencidos: Aqueles que pensam que sabem de tudo e que são dominadores de todos os ensinamentos bíblicos. Temos os convertidos, pessoas famintas em conhecer e servir a Deus, não obstantes a estes temos os neófitos, os novos convertidos que como “crianças” absorvem de tudo sem avaliação previa.
Nosso objetivo dedicação e afinco, pois é constituído de:
- Mudar caráter, pois sabemos que “Só há aprendizado se houver mudança de comportamento”
- Remover paradigmas, conceitos e crendices
- Ensinar verdades abstratas
- Aproximar o homem de Deus
A exemplo do publico alvo e do objetivo o Mestre também é muito exigido, pois ele deve ser:
- Um exemplo vivo e permanente “pregue em todo o tempo, se possível até fale”
- Tem que estar preparado em todos os temas bíblicos
- Tem que estar sempre atualizado
- Tem que ser cheio de fe, do conhecimento e do Espírito Santo
Os resultados também não são muitos atrativos:
- A recompensa não é humana e/ou material;
- O resultado não e instantâneo, é um processo lento. É o ato de semear
- A revelação de Deus na vida dos alunos
- A adoração ao Nome de Jesus
Minha vida e ministério estão marcados pelos ensinos de grandes mestres, poderia inclusive citar alguns nomes de mestres renomados e conhecidos mundialmente, mas ao pensar nesses nomes e em seus ensinos e experiências concluo que apesar de todos seus esforços e presteza nenhum deles tem condições de afirmar o seguinte: “aprendei de mim” Só o Mestre dos mestres, Jesus, tem condições de afirmar isso. Com esta afirmação Jesus revela que não é, simplesmente um canal da verdade ou o portador de conhecimento e, Ele afirma que é a própria verdade e a única fonte verdadeira de conhecimento.
Jesus como mestre usou de técnicas e estratégias conhecidas pelos profissionais do ensino, usou parábolas para esclarecer fatos de difícil compreensão, usou o conhecimento da cultura local para atingir seus ouvintes e também conhecia o nível de conhecimento das pessoas para quem ensinava, e através de seus ensinos Ele mudou a história. Qual a diferença de seus ensinos? o que havia de especial em seus ensinos? a resposta está na motivação de seu ministério. Um grande filósofo chamado Frederick Nietzsche ensinou que a motivação revela o sucesso ou o fracasso dos projetos humanos, ou seja, o principal ingrediente do ministério é a motivação. O ministério de Jesus estava fundamentado na motivação chamada AMOR, Ele amava seus discípulos e desta forma transferia todo o seu sentimento em forma de ensino.
Logo entendemos algumas verdades: o professor é esquecido o mestre marca a vida do aluno, o professor ensina conhecimentos adquiridos o mestre ensina conhecimentos praticados, o professor cita exemplos o mestre é o próprio exemplo, o professor aplica a falta o mestre sente a falta do aluno.
Que o Senhor Jesus, nosso mestre por excelência, nos ajude e nos abençoe rica e abundantemente.